A violenta repressão das manifestações na Líbia contra o regime de Muamar Kadhafi deixou pelo menos 233 mortos desde 17 de fevereiro, 60 deles apenas no domingo na cidade de Benghazi, segundo um novo balanço divulgado nesta segunda-feira pela ONG de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW).
"O balanço subiu a 233, segundo informações de fontes médicas na Líbia", destaca a organização não governamental, que tem sede em Nova York, em um comunicado divulgado em Paris. O balanço anterior da HRW registrava 173 mortes.
A cidade de Benghazi, a segunda maior da Líbia, localizada 1.000 km ao leste de Trípoli, é o epicentro das manifestações que exigem o fim do regime de Kadhafi, que está há mais de quatro décadas no poder.
Tiroteios
Na madrugada de hoje, intensos tiroteios foram ouvidos na madrugada desta segunda-feira na capital da Líbia, Trípoli, e em vários bairros da cidade, pela primeira vez desde que começaram os protestos contra o regime, informaram testemunhas e um jornalista da agência de notícias AFP.
Os disparos se intensificaram assim que terminou o discurso, transmitido pela televisão estatal, de Saif Al Islam Gaddafi, filho do líder líbio, Muammar Gaddafi, no qual advertiu que o país estava à beira da guerra civil e que se corre o risco de que ocorra um banho de sangue.
A confusão reina na capital, onde foi possível ouvir, além de disparos, sirenes de ambulâncias e buzinas. "Estamos escutando intensos disparos por todas as partes e se aproximam do centro da cidade", disse um morador do bairro Al Andalus à AFP. Outro morador informou sobre disparos na região de Mizran, perto do centro de Trípoli.