Consumidores de Mato Grosso serão surpreendidos com reajuste no preço do arroz a partir desta semana. Depois da alta anunciada no valor das carnes bovina e suína, decorrente do embargo russo às exportações mato-grossenses e da entressafra de gado, é a vez do cereal entrar no período de menor oferta, o que vai pesar no bolso da população. Indústrias de beneficiamento já estão pagando entre 10% e 15% mais caro pela saca (50 kg) de arroz em casca e repassam ao varejo, onde o reajuste será de R$ 1 para cada fardo (com 30 kg), segundo estimativa da Associação dos Supermercados de Mato Grosso (Asmat).
Depois de o produto - pacote contendo 5kg - ser vendido entre R$ 4,69 (tipo 2) e R$ 5,99 (tipo 1) nas gôndolas (nos dias de promoção) até o início deste mês, ele sofrerá majoração, que deve seguir até novembro. O plantio da safra 2011/2012 só começa em setembro e até a colheita o mercado será abastecido com os estoques, que estão nas mãos dos produtores, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Arroz de Mato Grosso (Sindarroz/MT), Ivo Fernandes Mendonça.
"A safra terminou em junho. Ainda hoje a saca de arroz está muito barata, em cerca de R$ 28 e R$ 30, ante uma média de R$ 25 durante a safra. Nossa estimativa é que chegue a R$ 38 nos próximos meses", diz Mendonça ao acrescentar que os preços atuais não serão mais encontrados pelos consumidores, já que os supermercadistas farão novas compras e o produto já estará com preço novo.
Proprietário de uma indústria de beneficiamento e comércio de cereais em Várzea Grande, Rudimar Biffi, afirma que a produção de arroz caiu significativamente no Estado nos últimos anos e que o consumo também não cresceu. Ele compra e beneficia o grão de produtores de vários municípios mato-grossenses, entre eles Sinop, Sorriso e Lucas do Rio Verde e revende para o varejo e outros estados da federação. "Temos vários fornecedores. Os preços estão aumentando e a estimativa é que 60% do volume que foi produzido ainda esteja nas mãos dos produtores".
A indústria de Mendonça tem capacidade para processar até 1,8 mil toneladas por mês, mas está operando com apenas 30%. "Não temos oferta de produto e a demanda também não cresce. Então ficamos na ociosidade", afirma, complementando que também trabalha com milho e milheto. Na opinião do industrial, a expectativa é que os preços reajam para trazer mais ânimo para o setor.
Produção - Mato Grosso registrou crescimento de 5,8% na safra 2010/2011 em relação à anterior. Foram produzidas 786 mil toneladas contra 742,4 mil (t) na temporada passada. Alta é decorrente do incremento na área plantada, que saltou de 246,9 mil hectares para 252,8 mil (ha), aumento de 2,3%. A produtividade também subiu, saindo de 3,008 mil quilos por hectare para 3,109 mil kg/ha, expansão de 3,3%.
Para a safra 2011/2012, o sócio proprietário da Agro Norte (produtora e pesquisadora de sementes de arroz), Angelo Carlos Maronezzi afirma que a tendência é de queda na área plantada. "Fizemos uma pesquisa interna que aponta redução. Mas isso pode mudar, vai depender do comportamento dos preços até o início do plantio". A empresa vende sementes para rizicultores de Mato Grosso, Maranhão, Tocantins, Rondônia, Pará, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Quem também prevê queda na produção de arroz na próxima temporada é a analista de Agricultura da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Karine Gomes Machado. Ela afirma que dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam para uma retração de 4,6%, com a colheita estimada em 655,26 mil toneladas na safra 2011/2012. "A produção estadual caiu muito nos últimos anos. Isso porque o arroz era usado na abertura de áreas, e novas terras não estão sendo abertas no Estado".
Na avaliação de Maronezzi, a produção de Mato Grosso sofre grande influência do Rio Grande do Sul, de onde vem muita produção para ser beneficiada no Estado e também produto já embalado. "O estado sulista tem o melhor produto do país", diz ao avaliar que para impulsionar a produção mato-grossense e também a brasileira, o governo deveria restringir a importação do cereal vindo da Argentina e do Uruguai.
Em Mato Grosso, segundo estimativa do Sindarroz, estão em funcionamento cerca de 40 indústrias. O Estado chegou a ter 100 unidades em operação, mas a queda na produção fez com que muitos empresários deixassem a atividade. Ainda segundo o sindicato, o consumo e arroz varia entre 250 mil toneladas e 350 mil (t) por ano entre os mato-grossenses.