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Segunda-Feira, 10 de Outubro de 2011, 09h59
Mato Grosso é campeão no desmatamento de terras indígenas
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Novamente Mato Grosso desponta entre os líderes de desmatamento, desta vez, de áreas protegidas. Dados do Projeto Prodes, que monitora a Floresta Amazônica brasileira por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revelaram que o Estado é medalha de ouro no desflorestamento de Terras Indígenas e ocupa o 8º lugar no desmatamento de áreas de proteção integral.

Com 69,9% da sua área total desmatada, a Terra Indígena Marãiwatsede, localizada no município de Alto Boa Vista (1.143 km de Cuiabá), teve 998,7 km² devastados entre os anos de 2000 e 2010, ocupando o 1º lugar nos territórios indígenas mais desflorestados.

Há mais de 50 anos, quando a Agropecuária Suiá-Missu chegou à região , a área que compõe a Marãiwatsede é alvo de disputas entre posseiros e índios Xavantes. Em 1998, o Governo homologou a posse do território à comunidade Xavante de Marãiwatsédé. Em novembro de 2010, os Xavantes tiveram direito de posse reconhecido pela Justiça, entretanto, de acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai), a área nunca foi devolvida para comunidade indígena.

No mesmo quesito, Mato Grosso ainda ocupa o 9º e o 10º lugar com 18,5% da Terra Indígena Manoki e 1,8% do Xingu devastadas.  Ao todo, 369,1 km² e 371,7 km², respectivamente, foram desmatados. Em comum, as três áreas são alvo de constantes queimadas.


Já a Unidade de Conservação Federal de proteção integral, que deveria ser intocável, do Parque Nacional do Juruena teve 103, 3 km² desflorestados, o equivalente a 0,6% da área.


Em todo o Brasil, nas 132 Unidades de Conservação observadas por satélite, o desmatamento aumentou 127,6% entre os anos de 2000 e 2010. Foram 11.463 km² devastados, até o ano de 2000 o número era de 5.036 km²

As estatísticas revelam um quadro alarmante: em dez anos foi desmatado 6.427 km², isto é, mais do que toda área devasta até 2000. Com os dados, fica claro que mesmo sendo instrumentos legais da conservação da natureza e proteção da biodiversidade, as áreas de proteção não têm sido suficientes para tornar a preservação do meio ambiente uma realidade no Brasil.


De acordo com Ministério do Meio Ambiente, a partir de 2004 foram criados 25 milhões de hectares de Unidades de Conservação federais e demarcados dez milhões de hectares de terras indígenas com o objetivo de preservar as áreas de floresta.
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