A inflação medida pelo IGP--DI (Índice Geral de Preços -- Disponibilidade Interna) fechou o ano de 2010 com alta acumulada de 11,30%, segundo a FGV (Fundação Getulio Vargas). No mês de dezembro o índice desacelerou para 0,38%, ante alta de 1,58% em novembro.
Entre os componentes do índice que mais influenciaram na desaceleração, o chamado estágio das matérias-primas brutas teve grande recuo, passando de 4,27% em novembro para 0,74% em dezembro. O IGP--DI de dezembro foi calculado com base nos preços coletados entre os dias 1º e 31 do mês de referência.
O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) registrou variação de 0,21%. No mês anterior, a taxa foi de 1,98%. O índice relativo a bens finais apresentou variação de -0,60%. No mês anterior, a taxa foi de 1,07%. O principal responsável por este recuo foi o subgrupo alimentos processados, cuja taxa passou de 4,67% para -0,47%. O índice de bens finais (ex), que resulta da exclusão de alimentos in natura e combustíveis, não apresentou variação. No mês anterior, registrou-se alta de 1,69%.
O índice do grupo bens intermediários apresentou taxa de variação de 0,53%. No mês anterior, o grupo assinalou elevação de 1,10%. O destaque de desaceleração ficou por conta do subgrupo materiais e componentes para a manufatura, cuja taxa de variação passou de 1,41% para 0,67%. O índice de bens intermediários (ex), calculado após a exclusão de combustíveis e lubrificantes para a produção, apresentou variação de 0,57%. No mês anterior, a variação foi de 1,21%.
No estágio das matérias-primas brutas, a taxa de variação recuou de 4,27%, em novembro, para 0,74%, em dezembro. Os destaques no sentido descendente foram: bovinos (11,05% para -4,80%), soja (em grão) (8,62% para 1,96%) e milho (em grão) (11,73% para 0,90%). Em sentido oposto, vale mencionar: minério de ferro (-7,45% para -1,53%), aves (2,53% para 7,29%) e cana-de-açúcar (1,82% para 2,76%).
O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) registrou taxa de variação de 0,72%, abaixo da apurada no mês anterior, de 1,00%. Foram observadas desacelerações, em quatro das sete classes de despesa componentes do índice, com destaque para alimentação (2,27% para 1,43%). Neste grupo, vale mencionar o comportamento dos itens: carnes bovinas (10,71% para 2,71%), frutas (3,95% para 2,32%) e arroz e feijão (-1,25% para -4,77%).
Também registraram decréscimos em suas taxas de variações os grupos: vestuário (1,01% para 0,80%), habitação (0,43% para 0,29%) e transportes (0,69% para 0,59%). Nestas classes de despesa, os destaques foram: calçados (1,31% para 0,20%), condomínio residencial (1,08% para 0,24%) e tarifa de ônibus urbano (0,41% para 0,11%), respectivamente.
Em sentido ascendente, destacam-se os grupos: despesas diversas (0,31% para 0,51%), saúde e cuidados pessoais (0,39% para 0,53%) e educação, leitura e recreação (0,34% para 0,37%). Nestas classes de despesa, vale mencionar o comportamento dos preços dos itens: cerveja (2,21% para 4,50%), artigos de higiene e cuidado pessoal (0,31% para 0,71%) e passagem aérea (5,86% para 9,99%), respectivamente.
O núcleo do IPC registrou variação de 0,55%, em dezembro. Em novembro, a taxa foi de 0,43%. Dos 87 itens componentes do IPC, 45 foram excluídos para o cálculo do núcleo. Destes, 20 registraram variações acima de 1,09%, linha de corte superior, e 25 apresentaram taxas abaixo de 0,62%, linha de corte inferior. Em dezembro, o índice de difusão, que mede a proporção de itens com taxa de variação positiva, foi de 66,45%, ante 62,28%, no mês anterior.
O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) registrou, em dezembro, taxa de variação de 0,67%, acima do resultado do mês anterior, de 0,37%. Dois dos três componentes do índice apresentaram decréscimos em suas taxas de variação: materiais e equipamentos, de 0,15% para 0,05%, e Serviços, de 0,38% para 0,24%. Já o índice relativo ao grupo mão de obra passou de 0,55% para 1,28%.