O conceito é novo: compras coletivas, vendas on-line caracterizadas pelo grande número de consumidores simultâneos, que pagam um preço inferior ao de tabela. Estima-se que, apesar de dos dez meses de funcionamento, compras coletivas tenham obtido R$ 500 milhões dos 405 sites que oferecem esse tipo de produto. Em 2011, especialistas acreditam que o segmento poderá triplicar e ir a R$ 1,5 bilhão.
"Os números registrados pelas compras coletivas foram conquistados nos últimos quatro meses de 2010; isso significa que mais de 60% do faturamento dos 10 meses foram obtidos nos últimos 4. Com essa previsão, podemos prever um faturamento de até R$ 1,5 bilhão em 2011", afirmou Edmundo Pereira Leme, especialista em comércio eletrônico, e-commerce, e professor da Unicsul. "Hoje, pesquisas apontam que o Brasil possui mais de 30 milhões de cadastros e mais de um milhão de ofertas", disse.
O boom dos sites de compras coletivas -que hoje têm nomes como Peixe Urbano, ClickOn e GroupOn deve-se também ao baixo nível de investimento para abertura. "Hoje, abrir um site de compras coletivas é muito barato; conquistar nome, manter-se ativo em dez anos é outra história, mas, a princípio, motivados pelo impulso e pela urgência de fechar negócio, muitos players entraram no mercado e procuram sua fatia do segmento", disse, e continuou: "Há dez anos a febre eram leilões on-line: muitos sites ofereciam este tipo de venda; em 2010 poucos foram os players que sobreviveram ao tempo", diz Leme.
Quem nasceu no boom dos leilões e continuou ativo no mercado foi o Mercado Livre, de acordo com seu vice-presidente de Operações (COO), Stelleo Tolda, encontra nas compras coletivas uma oportunidade para os negócios realizados pelo Mercado Livre. "Não encaramos as compras coletivas como um concorrente, mas como uma oportunidade: hoje elas incitam nas pessoas o impulso da compra, a urgência de consumo", afirmou o executivo, que previu que em 2011 alguns conceitos de compras coletivas poderão ser inseridos no site Mercado Livre.
Sobre a quantidade de players e a continuidade no mercado, Tolda lembrou os primeiros anos do Mercado Livre: "A venda de produtos de terceiros, a intermediação entre comprador e vendedor não é algo tão fácil quanto as pessoas pensam; muitas vezes um produto não é exatamente o mesmo que o anunciado, e a pressão cai no intermediador. Hoje as compras coletivas enfrentam as mesmas dificuldades que nós enfrentamos há dez anos, mas acredito que haja espaço, como houve para nós, de dar continuidade ao trabalho por mais tempo", afirmou.
O pioneiro no mercado brasileiro foi o Peixe Urbano, que em março oferecia seu primeiro cupom de desconto. Começando no Rio de Janeiro com três sócios, hoje está presente em 33 cidades brasileiras e chegou à incrível marca de dois milhões de cupons vendidos em 2010. O que também auxiliou o sucesso quase imediato do modelo foi a presença maciça do público-alvo em redes sociais, principal forma de divulgação entre os players.
"O público gosta de espalhar novidades, recomendar bons produtos ou serviços. Hoje, mais da metade de nossas compras acontecem por causa de alguma recomendação", revela Daniel Funis, diretor de Marketing do GroupOn - o único dos principais sites presentes no Brasil que vem de um grupo internacional. Iniciando operações no País em maio, com o nome Clube Urbano, passou a adotar a identidade global entre outubro e dezembro. "A filial brasileira apresentou o maior crescimento em todo o mundo", ressalta Funis.
Potencial
Provando o potencial da ferramenta ao redor do mundo, o Google ofereceu, no final de 2010, US$ 6 bilhões pelo GroupOn, que faturou globalmente US$ 500 milhões no ano passado e rejeitou a proposta. Grandes conglomerados brasileiros de mídia, como os grupos Abril e RBS, adquiriram ou lançaram seu próprio site de compras coletivas - respectivamente, Bananarama e Desejomania -, e o apresentador Luciano Huck tornou-se sócio e investi dor do Peixe Urbano nos últimos meses. Esse tipo de modalidade permite que empresas que tinham dificuldade de investir no e-commerce passem a explorá-lo", diz Leme.
No ClickOn, as expectativas para 2011 são amplas. "Por cálculos internos, acreditávamos no final do ano passado que, em 2011, o segmento de compras coletivas teria um faturamento de entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões. Hoje já pensamos em R$ 800 milhões, e, como teremos um ano completo, não duvido que podemos chegar à casa de R$ 1 bilhão", destaca Marcelo Macedo, co-fundador e CEO do ClickOn.
Para continuar aquecendo o mercado de compras pela internet (as compras on-line, ou e-commerce) e atender melhor a nova modalidade de consumidores - os que acessam a internet pelo celular -, o Mercado Livre irá lançar este semestre um novo aplicativo de compras especializado em compras móveis. "Creio que hoje este seja um dos últimos pontos em que ainda não atendíamos", afirmou o vice-presidente de Operações (COO), Stelleo Tolda.
De acordo com o executivo, o projeto já vem sendo estudado desde o ano passado, e o investimento do grupo em tecnologia está em R$ 20 milhões anuais. "Vamos investir ainda mais em tecnologia e melhorias no nosso site, para melhor atender a demanda."
Números preliminares do grupo apontam que, de janeiro a setembro de 2010, o Mercado Livre faturou R$ 200 milhões e tem mais de 50 milhões de usuários cadastrados. De acordo com os números da companhia, o site, que existe em 13 países, já comercializou R$ 2,3 bilhões em vendas e mais de 29, 7 milhões de produtos já foram vendidos.